Papilomavírus Humano (HPV)

19 de novembro de 2013 CAT1, CAT5 0

Prevalência e Transmissão: A infecção pelo Papilomavírus humano (HPV) ocupa o primeiro lugar entre as doenças sexualmente transmissíveis. Trata-se de uma doença de alta infectividade, que incide em 500 por 100.000 mulheres a cada ano. Estima-se que 75 a 80% de mulheres e homens sexualmente ativos vão ter contato com esse vírus em alguma fase de sua vida, porém a idade de maior prevalência é de 20 a 24 anos. A transmissão do HPV não é exclusivamente sexual e quando o é, não se faz necessária, obrigatoriamente, a penetração. O simples contato pele a pele (ou mucosa) é suficiente para o contágio, o que justifica a parcial eficácia do preservativo que recobre parcialmente a genitália. Não há evidências claras sobre outros tipos de transmissão sendo pouco provável a transmissão através de sabonetes ou objetos não bem esterilizados.

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O recém-nascido pode ser contaminado na hora do parto ou até intra-útero pela via hematogênica durante a gestação, transmissão estas chamadas verticais, ou seja, da mãe para o filho. História natural da infecção: De acordo com o seu potencial de causar o câncer de colo uterino os vírus são classificados em dois grupos: de baixo e alto risco. Dentre os de baixo risco citamos os tipos: 6, 11, 42, 26, 44, 54, 70 e 73. Dentre os de alto risco predominam os tipos 16 e 18 seguidos por 31, 33, 35, 39, 45, 51, 55, 56, 58, 59, 66 e 68. Os tipos 16 e 18 predominam em todo o mundo e são responsáveis por 70% dos casos de câncer de colo uterino.

 

 

O período de incubação é variável, sendo impossível saber quando ocorreu a exposição. Diagnóstico: Forma Clínica – aparecimento de verrugas em qualquer parte da região ânus-genital. Normalmente são causadas por vírus de baixo poder oncogênico. Forma subclínica – bem mais freqüente que a anterior é diagnosticada com auxílio de colposcopia e/ou Papanicolaou. Forma latente – aceita como a forma mais freqüente, não é diagnosticável pelos métodos convencionais anteriormente referidos. Seu diagnóstico implica na necessidade de técnicas especiais chamadas de PCR (Polimerase Chain Reaction) e Captura Híbrida. Já foram descritos até hoje mais de duzentos tipos de HPV, sendo que cerca de quarenta infectam o trato genital inferior.

 

 

Tratamento: Forma latente – não precisa tratar. Forma clínica – Tratar sempre as lesões verrucosas. Forma subclínica – Nas neoplasias epiteliais de grau I e grau II a conduta pode ser expectante ou intervencionista, seja através de aplicações de substâncias químicas, cauterizações e até intervenções cirúrgicas na avaliação de cada caso. Nas neoplasias grau III a intervenção cirúrgica sempre se faz necessária. Quanto às neoplasias intra-epiteliais da vulva e vagina de grau I, pode-se adotar a conduta expectante, com seguimento colpocitoscópico, o que não se aplica aos graus II e III, quando se prefere optar por conduta cirúrgica. Estudos com Imiquimode têm demonstrado para as neoplasias da vulva, resultados semelhantes ao laser com a vantagem da auto-aplicação. O medicamento deve ser aplicado localmente três vezes por semana, durante 12 a 16 semanas. Futuramente poderemos utilizar esta terapêutica em neoplasias intra-epiteliais da vagina, porém está em fase experimental.

 

 

Na gravidez pode-se utilizar o ácido tricloroacético. Há contra-indicação da podofilina, podofilotoxina, 5-fluorouracil, bleomicina, aos retinóides bem como aos imunoterápicos, como o interferon, imiquimode e cidofovir. Dentre os métodos físicos e cirúrgicos pode-se utilizar a exérese com bisturi ou tesoura, a eletrocauterização, a cirurgia de alta freqüência e o laser. Quanto ao tipo de parto nas lesões subclínicas opta-se pelo parto vaginal devendo-se romper a bolsa o mais tardiamente possível para se evitar o risco de maior contaminação. O risco de papilomatose recorrente juvenil é muito baixo, o que não justifica a indicação de cesárea. Sob a forma clínica, o parto vaginal poderia representar uma forma a mais de contaminação e a via preferencial passaria a ser a cesárea. É necessário lembrar que a regressão espontânea ocorre em 72% dos casos no puerpério devido ao retorno do estado hormonal e imunológico anterior, e a paciente deve ser tranqüilizada. Vacinas: É a grande novidade atual e já disponível em nosso meio. Por serem constituídas por partículas semelhantes aos vírus, e não por vírus atenuados, são incapazes de transmitir a doença.

 

 

Existem dois tipos de vacinas no comércio: – Vacina Quadrivalente contra quatro tipos de vírus, ou seja, o 6, 11, 16 e 18, que previne verrugas genitais e o câncer de colo uterino em até 70%. – Vacina Bivalente contra dois tipos de vírus, ou seja o 16 e 18 que também previne o câncer de colo uterino e não previne verrugas genitais. A titulação de anticorpos neste tipo de vacina é superior a anterior, porém em termos de prevenção do câncer uterino mostram-se semelhantes. Após a dose inicial, são efetuadas duas doses de reforço em intervalos de 4 e 24 semanas. A via de administração é a intramuscular. Os efeitos colaterais podem ser a dor local e febre por curto espaço de tempo. Por ser uma infecção de transmissão sexual, as vacinas profiláticas devem ser administradas em idade anterior ao primeiro coito. A vacina quadrivalente está liberada para pacientes do sexo feminino na idade dos 9 aos 26 anos e a vacina bivalente está liberada para pacientes do sexo feminino entre os 10 e 25 anos. Futuramente poderão ser liberadas para ambos os sexos e em idade superior a mencionada acima. Quanto à eficácia ao longo do tempo, estudos ainda estão em andamento para melhor elucidação e se haverá necessidade de doses de reforço das vacinas.

 

Conclusão: A infecção do vírus HPV é de alta prevalência mundial. Além de ser uma DST, está relacionada ao câncer do trato genital inferior, sendo de grande importância em Saúde Pública. Os métodos diagnósticos e terapêuticos têm apresentado novidades, porém a terapêutica para a infecção ainda não existe. Portanto, a prevenção deve ser à base de todo o raciocínio. A atuação por meio de educação em escolas e entidades corporativas e governamentais, busca ativa de mulheres que escapam dos programas de prevenção, além das vacinas, permitirão a redução dessa incidência e provavelmente do câncer de colo uterino no futuro. Hoje, ocorrem 250.000 mortes por câncer de colo uterino em todo o mundo e cerca de 7.000 mortes em nosso país.

 

Bibliografia: -Livro: Infecção Genital na Mulher – Primeira Edição pela Editora Roca Ltda. Professor Sérgio Peixoto – Titular do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina do ABC e Professor Associado Livre-Docente de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. -Informações recebidas dos laboratórios MERCK e GSK quanto à liberação do uso das vacinas pela ANVISA.